Bioterra
Blogue de Educação Ambiental, iniciado em 01.04.2004
quarta-feira, 10 de junho de 2026
I am the Shadow - Pain Come Close
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Património dos super-ricos causa danos climáticos desproporcionados, diz estudo
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| Stargate Datacenter (Texas) |
A Greenpeace calcula que os mais abastados contribuem com quase um bilião de dólares de prejuízos por ano através de emissões associadas à propriedade de ativos.
As pessoas ultra ricas que cruzam os céus mundiais nos seus jatos privados, relaxam em iates e se destacam pelo seu consumo ostensivo no Instagram estão entre os culpados individuais mais facilmente identificáveis na crise climática. No entanto, uma nova investigação defende que a culpa não reside apenas nos seus estilos de vida exuberantes, mas também nas suas contas bancárias.
Através da detenção de empresas e de ativos financeiros e físicos privados — que vão desde produtores de petróleo a empreendimentos imobiliários —, os super-ricos são responsáveis por uma fatia desproporcionada dos gases com efeito de estufa que estão a sobreaquecer o planeta. O 1% do topo da população mundial em termos de riqueza controla, através das suas participações acionistas e investimentos, cerca de um quarto do total das emissões anuais globais.
A Greenpeace calculou a "dívida climática" destes indivíduos com elevado património líquido, atribuindo-lhes a respetiva quota-parte dos danos causados ao clima pelos ativos de que são proprietários. Segundo estas contas, os mais ricos do mundo provocam quase um bilião de dólares ($1tn) por ano em prejuízos climáticos.
Clara Thompson, responsável global de campanhas sobre sistemas socioeconómicos na Greenpeace International, afirmou: "Numa altura em que as pessoas enfrentam faturas de energia cada vez mais altas, o aumento do custo de vida e impactos climáticos crescentes, muitos questionam-se por que razão os agregados familiares comuns devem carregar com uma parte tão grande do fardo, enquanto algumas das pessoas mais ricas do mundo continuam a lucrar com as indústrias que alimentam a crise."
A Greenpeace estima que o 1% mais rico da população seja responsável por cerca de 40% de todas as emissões baseadas na "propriedade" — ou seja, as emissões produzidas por empresas e associadas a ativos financeiros e físicos privados —, as quais representam, por si só, 60% da produção global de carbono. Dentro desse grupo, os 0,1% do topo respondem por cerca de 17% das emissões baseadas na propriedade, e os 0,01% mais ricos por cerca de 9%.
O escalão do 1% do topo é composto por indivíduos com um património superior a cerca de 2 milhões de dólares; os 0,1% detêm uma riqueza acima dos 7 milhões de dólares; e os 0,01% correspondem a pessoas com fortunas superiores a cerca de 38 milhões de dólares. Em contrapartida, a metade mais pobre da população mundial detém apenas 3% das emissões associadas à propriedade de ativos.
Thompson sublinhou que é fundamental pensar em termos de emissões baseadas na propriedade porque, embora sejam menos visíveis do que as emissões associadas ao consumo, são mais difíceis de combater.
"Isto não é apenas uma história sobre jatos privados e estilos de vida luxuosos. Quando se trata da poluição dos ultra-ricos, a propriedade importa ainda mais do que o consumo. Uma grande parte das emissões está associada à detenção de ativos e investimentos com elevada intensidade de carbono", explicou. "Durante anos, a política climática focou-se nos consumidores. Mas as nossas conclusões sugerem que deveríamos prestar muito mais atenção àquilo que as pessoas possuem e onde investem."
Uma forma de corrigir este desequilíbrio poderia passar pela aplicação de impostos sobre a riqueza. "A dívida climática tem a ver com responsabilidade", referiu Thompson. "Se concordamos que aqueles que mais contribuíram para o problema devem contribuir mais para o resolver, é perfeitamente razoável perguntar se esse princípio também se deve aplicar à riqueza extrema."
Dados independentes revelaram que os grandes bancos e outros investidores financeiros canalizaram 900 mil milhões de dólares para combustíveis fósseis no ano passado, apesar das promessas feitas por muitos deles há cinco anos para reduzir tais investimentos.
As disparidades gritantes entre o impacto ambiental dos super-ricos e o dos cidadãos comuns estão cada vez mais no centro das atenções, à medida que a desigualdade de riqueza dispara em todo o mundo. Recentemente, um relatório liderado pelo economista Thomas Piketty demonstrou que o mundo poderia viver de forma equitativa dentro dos recursos finitos do planeta, caso os excessos de riqueza fossem travados por impostos e os mais pobres pudessem reter uma maior fatia daquilo que o seu trabalho produz.
Governos de todo o mundo, com exceção dos EUA, estão reunidos em Bona, na Alemanha, para duas semanas de conversações que antecedem a cimeira do clima da ONU (Cop31) em novembro. Um dos temas que deverá receber maior atenção prende-se com os mecanismos para uma "transição justa", que ajude os trabalhadores afetados pelo abandono dos combustíveis fósseis a integrarem-se na economia de baixo carbono.
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Aegithalos
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| Chapim-rabilongo (Aegithalos caudatus) |
Aegithalos
Um pêndulo delicado balança sobre a casca de musgo,
envolto numa mistura suave de rubor, carvão e neve.
O horizonte é perseguido por uma sombra rasteira de penas,
enquanto um coro de sussurros prateados agita os bosques adormecidos.
Quando a geada chega, o calor encontra-se num amontoado cerrado de asas,
antes que um ímpeto súbito de voo acrobático se disperse pela copa das árvores.
A pequena bolinha escura captura a imensidão da floresta,
sonhando secretamente com um universo escondido num único pedaço de líquen.
Lítio travado - tribunal trava Savannah e impõe paragem imediata na mina do Barroso
𝗔 𝗰𝗼𝗿𝗿𝗶𝗱𝗮 𝗮𝗼 𝗹𝗶́𝘁𝗶𝗼 𝗻𝗼 𝗰𝗼𝗻𝗰𝗲𝗹𝗵𝗼 𝗱𝗲 𝗕𝗼𝘁𝗶𝗰𝗮𝘀 𝘀𝗼𝗳𝗿𝗲𝘂 𝘂𝗺 𝗻𝗼𝘃𝗼 𝗿𝗲𝘃𝗲́𝘀. 𝗔 𝗦𝗮𝘃𝗮𝗻𝗻𝗮𝗵 𝗥𝗲𝘀𝗼𝘂𝗿𝗰𝗲𝘀 𝗳𝗼𝗶 𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮𝗹𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗻𝗼𝘁𝗶𝗳𝗶𝗰𝗮𝗱𝗮 𝗲𝘀𝘁𝗮 𝘁𝗲𝗿𝗰̧𝗮-𝗳𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗽𝗲𝗹𝗼 𝗧𝗿𝗶𝗯𝘂𝗻𝗮𝗹 𝗔𝗱𝗺𝗶𝗻𝗶𝘀𝘁𝗿𝗮𝘁𝗶𝘃𝗼 𝗲 𝗙𝗶𝘀𝗰𝗮𝗹 𝗱𝗲 𝗠𝗶𝗿𝗮𝗻𝗱𝗲𝗹𝗮, 𝘃𝗲𝗻𝗱𝗼-𝘀𝗲 𝗳𝗼𝗿𝗰̧𝗮𝗱𝗮 𝗮 𝘀𝘂𝘀𝗽𝗲𝗻𝗱𝗲𝗿 𝗱𝗲 𝗶𝗺𝗲𝗱𝗶𝗮𝘁𝗼 𝗼𝘀 𝘁𝗿𝗮𝗯𝗮𝗹𝗵𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝗴𝗲𝗼𝘁𝗲𝗰𝗻𝗶𝗮 𝗻𝗼 𝗽𝗿𝗼𝗷𝗲𝘁𝗼 𝗱𝗮 𝗠𝗶𝗻𝗮 𝗱𝗼 𝗕𝗮𝗿𝗿𝗼𝘀𝗼. 𝗘𝘀𝘁𝗮 𝗽𝗮𝗿𝗮𝗹𝗶𝘀𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝘀𝘂𝗿𝗴𝗲 𝗻𝗼 𝘀𝗲𝗴𝘂𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝘂𝗺𝗮 𝗽𝗿𝗼𝘃𝗶𝗱𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗰𝗮𝘂𝘁𝗲𝗹𝗮𝗿 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗽𝗼𝘀𝘁𝗮 𝗽𝗲𝗹𝗮 𝗰𝗼𝗺𝘂𝗻𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗹𝗼𝗰𝗮𝗹, 𝗮𝗰𝗲𝗻𝘁𝘂𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗼 𝗯𝗿𝗮𝗰̧𝗼 𝗱𝗲 𝗳𝗲𝗿𝗿𝗼 𝗵𝗶𝘀𝘁𝗼́𝗿𝗶𝗰𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝘁𝗲𝗺 𝗺𝗮𝗿𝗰𝗮𝗱𝗼 𝗮 𝗻𝗼𝘀𝘀𝗮 𝗿𝗲𝗴𝗶𝗮̃𝗼.
A empresa britânica sublinha que o acatamento desta ordem judicial tem efeitos apenas a partir do momento em que foi notificada. Para a Savannah, este detalhe jurídico comprova que as ações de bloqueio promovidas por populares durante a semana passada careciam de enquadramento legal.
Em comunicado, a concessionária não poupou críticas à Direção do Baldio de Covas do Barroso e à UDCB (Unidos em Defesa de Covas do Barroso), acusando as entidades de recorrerem aos tribunais pela terceira vez numa tentativa deliberada de boicotar o desenvolvimento do projeto.
Apesar deste obstáculo, a administração da mina demonstra "tranquilidade" perante o processo, aguardando que o tribunal decida sobre o mérito da causa para voltar a colocar as máquinas no terreno. O objetivo da Savannah permanece inalterado: iniciar a construção do complexo mineiro em 2027 e arrancar com a primeira produção de lítio no ano seguinte.
Para compreendermos a verdadeira dimensão deste conflito, é necessário olhar para o cerne da ação judicial submetida a 27 de maio contra o Ministério do Ambiente e da Energia. O grande alvo da contestação popular é a atribuição de uma "servidão administrativa", um mecanismo imposto pelo Estado que permite à Savannah ocupar cerca de 228 hectares de terrenos baldios e privados, muitas vezes à revelia da vontade expressa dos proprietários locais. A comunidade denuncia esta medida como um padrão de expropriação coerciva, lembrando um episódio idêntico que já havia forçado a suspensão das sondagens durante 15 dias, em fevereiro de 2025.
No entanto, o contexto desta disputa ultrapassa largamente os limites de propriedade. É fundamental recordar que a região do Barroso ostenta o prestigiado selo de Sistema Importante do Património Agrícola Mundial (SIPAM), atribuído pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). O risco de descaracterização desta paisagem e do modo de vida tradicional tem levantado sérias dúvidas jurídicas. Recorde-se que, devido a esta mesma classificação da ONU, o próprio Ministério Público já havia alertado para graves incongruências no processo, chegando mesmo a pedir a anulação da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) emitiu favoravelmente, com condicionantes, em 2023.
Enquanto a justiça avalia a legalidade da ocupação destas terras e o peso da servidão administrativa, as encostas de Covas do Barroso regressam ao silêncio. A Vila TV continuará no terreno, acompanhando de perto um processo que divide os defensores da transição energética e os guardiões de uma herança agrícola única no mundo.
Vila Real, 09 de Junho 2026
VILA TV - INFO
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I am the Shadow - The Wide Starlight
Whats still missing
Just draw a line
Between the silence and the starlight
Between the silence and the starlight
The silence and the starlight
Wide starlight
Lost in the same
Old questions
To drown you
In the wide starlight
The fault line gives no rest
Silence has no shame
Will you face it?
Will you drown in?
The wide starlight
Looking for nothing
Will you take it?
Will you drown in?
The wide starlight
Looking for nothing
Significado da canção
Conceptualmente, The Wide Starlight foca-se na introspeção profunda e na dualidade humana, girando em torno de lugares interiores e ruínas, sobre o que é finito e o que é infinito dentro de nós próprios, e o dom do silêncio sob esta vasta luz das estrelas, segundo a própria banda e a editora Cold Transmission na altura do lançamento. Neste contexto, o título funciona como uma metáfora visual para a imensidão do universo e o isolamento do indivíduo, que, ao confrontar-se com a vastidão do mundo exterior e das estrelas, depara-se com as suas próprias ruínas e vazios emocionais, numa constante oscilação entre a solidão cósmica e o conforto. Em vez de encarar o silêncio e a melancolia como algo puramente negativo, a música sugere uma espécie de aceitação poética da escuridão interior, apresentando esse silêncio no meio do firmamento como um refúgio ou um dom para quem tenta compreender o que é passageiro e o que permanece na alma. Adicionalmente, existe um forte teor de existencialismo romântico, onde a dor, a perda e a beleza andam de mãos dadas, embaladas por uma sonoridade que evoca o mistério da noite, resultando num trabalho profundamente atmosférico e ideal para quem aprecia música que serve tanto para pistas de dance alternativas e góticas como para momentos de isolamento e contemplação.
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terça-feira, 9 de junho de 2026
Suave Punk - Dreams of Losing Teeth
Significado da canção e relação com o filme "Negócio arriscado"
A canção "Dreams of Losing Teeth", do projeto norte-americano Suave Punk, liderado por Justin Kim, carrega um significado profundamente enraizado na ansiedade, na vulnerabilidade e nas transições da juventude. O tema nasceu de uma experiência literal, um pesadelo real e muito vívido que o músico teve no final de 2020, onde o foco principal não era tanto o enredo do sonho, mas sim o desconforto sensorial e a sensação angustiante das raízes dos dentes a quebrarem. Na psicologia, sonhar que os dentes estão a cair é um dos arquétipos mais comuns e está universalmente ligado à perda de controlo, à impotência perante as mudanças da vida e à insegurança. Para Justin Kim, que na altura frequentava o seu primeiro ano de faculdade e lidava com sentimentos de isolamento e crises de identidade devido às suas raízes multiculturais, a música tornou-se uma forma de traduzir essa névoa mental e o medo do futuro numa densa parede de som shoegaze.
Embora o teledisco que partilhou seja uma edição não-oficial feita por um fã (do canal Kash Cuts), a escolha das imagens do filme "Risky Business" (1983), protagonizado por Tom Cruise, cria uma simbiose perfeita com a mensagem da canção. O filme retrata a história de Joel, um jovem pressionado pelas expectativas da família e da sociedade que, ao ver-se sozinho em casa, perde completamente o controlo da sua vida organizada numa espiral de decisões caóticas e perigosas. Esta perda de controlo e a imensa ansiedade juvenil do protagonista espelham na perfeição o significado metafórico de perder os dentes. Além disso, a estética visual do filme, marcada por viagens de comboio na penumbra, luzes de néon e a melancolia da noite urbana de Chicago, casa idealmente com a sonoridade dreampop e nostálgica do Suave Punk. Como o próprio Justin Kim é estudante de cinema e foca a sua música na criação de vinhetas visuais e texturas emocionais, a colagem destas imagens cinematográficas dos anos 80 funciona como uma extensão natural e poética da própria canção.
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Os maiores bancos do mundo comprometeram 906 mil milhões de dólares com empresas de combustíveis fósseis. num aumento "incompreensível" em 2025, revela relatório
O JPMorgan Chase lidera a lista de 65 bancos que estão a tomar decisões incompatíveis com a contenção do aumento das temperaturas globais, afirmam investigadores.
Os maiores bancos do mundo comprometeram 906 mil milhões de dólares ($906bn) em financiamento para a indústria dos combustíveis fósseis no ano passado — um aumento "incompreensível" no investimento que garante mais anos de produção de carvão, petróleo e gás, numa altura em que o planeta continua a sobreaquecer, concluiu um novo relatório.
O surto de novos empréstimos para combustíveis fósseis, que aumentou 64 mil milhões de dólares (quase 8%) em relação a 2024, demonstra que os 65 maiores bancos mundiais estão a tomar decisões incompatíveis com os acordos internacionais para conter o aumento das temperaturas globais, de acordo com a coligação de grupos ambientalistas responsável pela nova análise.
O JPMorgan Chase voltou a ser o principal financiador mundial de combustíveis fósseis, segundo o relatório anual Banking on Climate Chaos, após ter injetado 58 mil milhões de dólares no setor no ano passado — um aumento de 13% face a 2024.
O Bank of America comprometeu a segunda maior quantia com combustíveis fósseis no ano passado, seguido pelos bancos japoneses MUFG e Mizuho Financial. O Citigroup, outro banco norte-americano, fecha o "top 5", com o Barclays, na oitava posição, a ser o banco britânico mais bem classificado.
"O ano passado foi o primeiro em que esperávamos ver uma redução contínua nos números históricos, mas na verdade assistimos a esse aumento, que se prolongou este ano", afirmou Caleb Schwartz, analista de políticas da Rainforest Action Network, um dos grupos responsáveis pelo relatório. "Trata-se, portanto, de uma tendência preocupante."
Questionado sobre os seus empréstimos ao setor dos combustíveis fósseis, um porta-voz do JPMorgan Chase declarou: "Como um dos maiores financiadores de energia do mundo, apoiamos toda a gama de soluções e tecnologias energéticas, com foco na fiabilidade, acessibilidade, segurança e resiliência a longo prazo. Acreditamos que os nossos dados refletem as nossas atividades de forma mais abrangente e precisa do que as estimativas de terceiros."
No acordo climático de Paris, em 2015, os países concordaram em envidar esforços para evitar que o aquecimento global ultrapassasse os 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, limite a partir do qual o mundo sofrerá ondas de calor, cheias, secas e outros desastres alimentados pelas alterações climáticas ainda mais devastadores.
Evitar este limiar exigiria a quase eliminação das emissões que aquecem o planeta resultantes da produção de combustíveis fósseis. No entanto, desde o Acordo de Paris, os maiores bancos do mundo já canalizaram 8,7 biliões de dólares para a indústria dos combustíveis fósseis para a extração e perfuração de mais carvão, petróleo e gás.
Os cientistas preveem agora que o limite de 1,5°C será ultrapassado de forma iminente, antecipando que a recente sucessão de anos com temperaturas recorde seja superada ainda nesta década.
No rescaldo do ataque dos EUA e de Israel ao Irão, que fez disparar o custo global do petróleo e do gás, várias das maiores empresas de combustíveis fósseis do mundo registaram lucros recorde este ano.
"As empresas históricas de combustíveis fósseis não vão desaparecer sem dar luta", afirmou Niko Lusiani, especialista em clima e energia que editou o relatório deste ano. "Estão a duplicar a aposta para expandir um sistema energético cada vez mais frágil, pouco fiável e arriscado."
O financiamento a combustíveis fósseis está a concentrar-se cada vez mais num grupo restrito de grandes instituições, concluiu o novo relatório, com aquilo a que os grupos ecologistas chamaram a "dúzia suja" a ser responsável por 40% de todo o financiamento do setor. Quase todo o financiamento para combustíveis fósseis provém de seis jurisdições: os EUA, o Canadá, o Japão, a China, o Reino Unido e a União Europeia.
Um total de 26 dos 65 maiores bancos reduziu o seu financiamento a combustíveis fósseis no ano passado, com os bancos europeus BNP Paribas, UBS e La Caixa a liderarem as reduções.
Contudo, os grandes operadores de petróleo e gás não ficaram sem liquidez disponível. Os maiores bancos prometeram 508 mil milhões de dólares para a expansão de explorações de combustíveis fósseis já existentes no ano passado, um aumento de 27% em relação a 2024. Três operadoras norte-americanas de petróleo e gás — Venture Global, Enbridge e Energy Transfer — foram as principais beneficiárias dos fundos emprestados em 2025.
Vários grandes bancos tinham anunciado anteriormente metas para reduzir as suas emissões e restringir os empréstimos a formas de energia particularmente poluentes, como o carvão. Mas, face ao regresso político de Donald Trump — que já classificou a crise climática como uma "treta" ("bullshit") e exigiu a extração desenfreada de combustíveis fósseis —, os bancos voltaram as costas aos compromissos ambientais assumidos anteriormente.
No ano passado, a Net-Zero Banking Alliance, uma iniciativa apoiada pela ONU que pretendia alinhar os empréstimos dos bancos com um cenário de emissões líquidas nulas até 2050, foi dissolvida após a saída de vários membros de relevo.
"Vimos muitos bancos darem as costas, seja de forma silenciosa ou mais ruidosa, num contexto de pressão política, particularmente nos EUA", afirmou Lusiani.
O especialista acrescentou: "A era dos compromissos voluntários não funcionou à escala que necessitamos, o que aponta para um papel muito mais ativo dos reguladores financeiros, legisladores e decisores políticos, especialmente nesses seis grandes centros financeiros."
Em resposta a um pedido de comentário, um porta-voz do Bank of America afirmou que o banco apoia "uma vasta gama de clientes, tanto no setor das energias renováveis como no das energias tradicionais, fornecendo-lhes o capital e o aconselhamento necessários para atingirem os seus objetivos — incluindo o avanço das tecnologias de energia limpa e a garantia de acessibilidade e segurança energética num ambiente cada vez mais complexo e dinâmico".
Por sua vez, um porta-voz do Citi afirmou que a empresa "apoia os clientes na transição para uma economia de baixo carbono, ao mesmo tempo que reconhece a necessidade real de energia segura, acessível e fiável hoje em dia. Estamos empenhados em alcançar emissões financiadas líquidas zero até 2050 e em avançar com a nossa meta de financiamento sustentável de 1 bilião de de dólares, focando-nos em equilibrar a transição com a resiliência energética global".
Money and Machismo are Undermining America
Drones have rapidly transformed modern war. The U.S. military, the most sophisticated, best supplied force in history, has been humiliated by Iran, largely thanks to Iran’s effective use of inexpensive drones to menace shipping, energy production, and even U.S. bases. Meanwhile, Ukraine’s growing superiority in drone warfare is increasingly giving it the upper hand over Russia. Remember, not so long ago the American far right celebrated Putin’s macho posturing and his supposed military invincibility.
Given this radical turn of events, shouldn’t the United States be eager to make a drone deal with Ukraine, benefiting from its technology and expertise?
Apparently not. The Hill reports that Donald Trump has been dragging his feet on such a deal, quoting U.S. military analysts who say that they don’t understand the delay and that they are “mystified.” But I assume that they’re being disingenuous and prefer to avoid saying the obvious. In fact, Trump’s unwillingness to make a deal that would clearly benefit America’s national interest is no mystery at all.
I’ll get to the obvious in a moment. First, let me take a slight detour into something that seems unrelated but in fact helps explain drone aversion: this administration’s hostility to renewable energy and its desperate, doomed and wasteful effort to revive the coal industry.
There was a time when “drill, baby, drill” could be portrayed as a realistic, hard-headed position. Does anyone remember the Cheney Energy Task Force? However, in the past few years, radical declines in the cost of solar power, wind power, and batteries — which solve the problem that the sun doesn’t always shine and the wind doesn’t always blow — have made renewables the most cost-effective way to generate electricity. By contrast, coal is completely unviable. Here are the Federal Energy Regulatory Commission’s estimates for utility capacity additions in 2025:
Yet Trump is trying to block renewable energy projects any way he can and has just invoked wartime authority to spend $700 million subsidizing new power plants using “clean, beautiful” coal.
Why? Part of the answer is big money. Fossil fuel interests were huge supporters of Trump in 2024. In fact, the Trump presidency is itself the result of billions of dollars spent by the Koch Brothers and others to corrupt and undermine U.S. political institutions -- the Supreme Court very much included. Anti-renewable, pro-fossil fuel policy is their reward, along with the destruction of the Voting Rights Act and the adoption of Project 2025.
What’s the other part? Clean energy has become a bogeyman in the culture wars: mining and burning coal are considered “manly” activities, while renewable energy is portrayed as woke and effeminate. Real men don’t worry about black lung and airborne particulates, let alone climate change.
So a combination of big money and fragile male egos drives Green Derangement Syndrome. And the same is true for both the Iran debacle and the refusal to learn from the catastrophe by turning to Ukraine.
Why was the United States so unprepared for the Iranian drone threat, despite the obvious successes of Ukrainian drones against Russia? Well, as investigative reporters delve into the story, I would urge them to follow the money.
America has a huge, highly profitable defense industry, dedicated to a suite of technologies that are rapidly being rendered obsolete, as $4 million Patriot missiles, that take years to build, are being used to shoot down $35,000 Shahed drones that can be manufactured in months.
So it wouldn’t be surprising if defense-industry interests are playing a significant role in the Trump administration’s refusal to admit that the rules of war have changed — the same way that fossil fuel companies have campaigned against the new realities of energy technology. After all, a deal with drone-savvy Ukrainians would mean less money going to US defense contractors.
While this is speculative, we do know that recognition of the drone revolution in warfare by Trump and his inner circle would require that they abandon their fantasy of macho military power. Pete Hegseth has been purging the military of capable officers — especially Blacks and women — he considers insufficiently loyal to Donald Trump. Beyond loyalty tests, however, he has exalted the importance of “warrior ethos” and physical fitness, as if he were leading the 300 Spartans rather than a high-tech military in an age of drones and electronic warfare.
It’s true that Hegseth, perhaps chastened by his abject failure in Iran — why does he still have a job? — recently admitted that the U.S. has learned from Ukraine. But an admission that his entire conception of war was wrongheaded will be a step too far for him.
Likewise, Trump himself is in love with big, expensive weapons as symbols of virility and power. He’s still pushing for giant “Trump-class” battleships, even though they would be sitting ducks in a modern war. Just ask the Ukrainians, who have used missiles and naval drones to force Russia’s once-vaunted Black Sea Fleet to cower in a fortified refuge. But Trump doesn’t want to give up his fantasies.
And he’s especially unwilling to learn from Ukraine. After all, he cut off aid to Ukraine in a hissy fit over Zelenskyy’s well-deserved reputation for heroism, only to he humiliated by Ukraine’s refusal to lose its war. Admitting that he needs Ukrainian help would be a further humiliation.
As I said earlier, there is no mystery about why Trump refuses to make a drone deal with Ukraine. Never mind the national interest. In military strategy as in energy policy, Trump is betraying America in the service of money and machismo.
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Serra da Estrela ganha novo selo da UNESCO e passa a ter dupla proteção internacional
A Serra da Estrela foi integrada esta sexta-feira, dia 3 de junho, na Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO, uma distinção internacional que premeia territórios que conciliam a conservação da natureza com o desenvolvimento sustentável
A Serra da Estrela passa a integrar a Rede Mundial de Reservas da Biosfera, distinção atribuída pela UNESCO a territórios que conciliam "a conservação da natureza com o desenvolvimento humano sustentável", foi divulgado esta sexta-feira.
O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) adiantou, em comunicado, que a aprovação da candidatura foi anunciada hoje na 38.ª sessão do Conselho Internacional de Coordenação do Programa Homem e Biosfera (MAB), que decorre no Centro de Convenções Itaipu Roga, em Hernandarias, Paraguai, desde 3 de junho.
Com esta aprovação, Portugal passa a contar com 14 Reservas da Biosfera da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), lembrou o ICNF.
Já a Serra da Estrela passa a deter duas designações UNESCO para o mesmo território: o Geopark Global UNESCO, reconhecido em julho de 2020, e agora a Reserva da Biosfera.
"Os dois estatutos serão geridos de forma integrada, numa lógica de governança conjunta que permitirá otimizar recursos humanos, financeiros e materiais", referiu o ICNF.
De acordo com o instituto, a nova Reserva da Biosfera da Estrela abrange uma área total de 2.372,99 quilómetros quadrados (km²), distribuída pelos seis municípios do Parque Natural da Serra da Estrela, Seia, Gouveia, Celorico da Beira, Guarda, Manteigas e Covilhã.
A Reserva da Biosfera da Estrela está estruturada em três zonas complementares: uma Zona Núcleo onde se concentram os valores naturais mais relevantes (212,55 km²), uma Zona Tampão de mediação ecológica (679,65 km²) e uma Zona de Transição dedicada às atividades humanas sustentáveis (1.480,80 km², correspondendo a 62% da reserva).
A candidatura foi promovida pela AGE - Associação Geopark Estrela, com coordenação científica de Helena Freitas, do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra.
O ICNF realçou que a iniciativa resultou "de um amplo processo participativo que envolveu autarquias, sociedade civil, comunidade educativa e organizações ambientais, tendo como base o Plano de Cogestão do Parque Natural, aprovado em novembro de 2024".
"Esta designação não é apenas um reconhecimento internacional, é um compromisso ativo com os objetivos globais de conservação da biodiversidade inscritos no Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal, e uma oportunidade para afirmar a Serra da Estrela como referência nacional e internacional em práticas inovadoras de sustentabilidade e educação ambiental", salientou ainda o ICNF.
Já a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, realçou que o reconhecimento é "uma oportunidade para reforçar a sustentabilidade da Serra da Estrela, colocando a inovação e a educação ambiental ao serviço das comunidades e das gerações futuras".
Numa nota divulgada pelo ministério, Maria da Graça Carvalho destacou "o forte envolvimento dos autarcas e da sociedade civil, que tanto contribuíram para o sucesso do projeto, o papel da Associação Geopark Estrela, que promoveu a candidatura, e da professora Helena Freitas, que assegurou a sua coordenação científica".
Ler mais:
Serra da Estrela: Quo vadis biodiversidade?
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Cocteau Twins - Sea, Swallow Me
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Dia Mundial dos Oceanos alerta para importância das áreas marinhas protegidas
O Dia Mundial dos Oceanos, que se celebra hoje, alerta para a importância de uma rede global de Áreas Marinhas Protegidas (AMP) que “restaure ecossistemas”, lembrando que “todas as nações dependem de oceanos saudáveis”.
Reconhecido pelas Nações Unidas desde 2008, o Dia Mundial dos Oceanos envolve mais de duas mil organizações em 180 países.
Este ano, a efeméride tem como tema “Áreas Marinhas Protegidas Robustas para o Nosso Planeta Azul”.
“Podemos acelerar o progresso e ajudar a criar uma rede global de Áreas Marinhas Protegidas que restaure ecossistemas, construa resiliência e inspire esperança para o futuro”, lê-se na mensagem que assinala a data.
Segundo o portal do Dia Mundial dos Oceanos, a criação de AMP “rigorosamente regulamentadas” será “essencial para transformar os compromissos globais em resultados reais de conservação” e alcançar a meta de proteção de pelo menos 30% das áreas terrestres e marinhas do planeta até 2030.
Atualmente, à escala global, menos de 17% da área terrestre e apenas 8% dos oceanos estão protegidos.
Em outubro, Portugal previa antecipar para 2026 a meta de 30% de AMP, com a criação Reserva Natural Marinha D. Carlos, que cobre 173.000 quilómetros quadrados, abrangendo uma vasta cadeia de montes submarinos e planícies abissais entre Sagres e o Arquipélago da Madeira.
“Todas as nações dependem de oceanos saudáveis [para garantir] a estabilidade climática, a biodiversidade e o bem-estar humano. A proteção dos oceanos, incluindo o alto-mar, é uma responsabilidade partilhada”, acrescenta a mensagem do Dia Mundial dos Oceanos 2026.
Em janeiro entrou em vigor o Tratado do Alto-Mar, que estabelece o enquadramento legal para a designação de AMP em águas internacionais.
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domingo, 7 de junho de 2026
The Wild Swans - Bringing Home The Ashes
A expressão "bringing home the ashes" (trazendo as cinzas para casa) carrega uma dualidade profunda que mistura a melancolia pessoal com o peso da identidade britânica dos anos 80. Por um lado, o título remete subtilmente à famosa competição de críquete entre a Inglaterra e a Austrália, conhecida como "The Ashes", que nasceu de um obituário satírico sobre a morte do desporto inglês. Contudo, no contexto poético da canção, a metáfora adquire um tom muito mais sombrio e espiritual, simbolizando o ato de recolher os destroços, as memórias e o que restou de um passado glorioso após a desilusão ou a destruição. Paul Simpson evoca uma visão romântica, mas cansada, de uma Inglaterra marcada por crises sociais e cicatrizes históricas, sugerindo o fardo quase insuportável de carregar a dor do tempo. Ainda assim, mesmo perante a decadência e o inverno rigoroso, a música recusa-se a ceder ao niilismo total, proclamando com resiliência que o coração da nação nunca morre. Trata-se, no fundo, de um hino sobre a perda da inocência e a maturidade, onde a beleza e a dignidade são resgatadas mesmo quando tudo o que resta são cinzas.
É um daqueles temas que consegue ser incrivelmente luminoso na melodia (pelas guitarras brilhantes), mas profundamente nostálgico e triste na poesia e na voz barítona de Paul Simpson.
Em resumo, o tom barítono dele contrasta perfeitamente com a envolvência quase celestial das guitarras, criando um ambiente agridoce que é a verdadeira alma da canção. É essa fricção entre a luz da música e a penumbra da voz que a torna tão marcante.
No contexto político a banda tece críticas. A década de 1980 no Reino Unido ficou profundamente marcada pelo governo de Margaret Thatcher, cujas reformas económicas agressivas e de cariz neoliberal transformaram radicalmente o tecido social do país. Cidades industriais e portuárias como Liverpool sofreram um impacto devastador, enfrentando o encerramento de estaleiros, o desemprego em massa e uma forte crispação social, que chegou a culminar em violentos motins urbanos. Foi precisamente neste cenário de sufoco e fratura social que a cena musical local floresceu, utilizando a arte como uma forma de protesto e de fuga à realidade cinzenta. Quando os The Wild Swans lançaram “Bringing Home The Ashes” em 1988, a canção acabou por espelhar de forma perfeita esse ambiente da era "Thatcherista". O contraste entre a melodia luminosa das guitarras e o tom barítono, melancólico e pesado de Paul Simpson traduz a dualidade de uma juventude que se sentia desgastada e sem fôlego face às convulsões políticas da época. Ao evocar imagens de guerras de palavras, revoluções e o peso de carregar as cinzas de um passado glorioso, a letra funciona como um retrato íntimo e político de uma Grã-Bretanha dividida. No entanto, a insistência em cantar que o coração da Inglaterra nunca morre surge como um ato de resistência cultural e de apego à identidade comunitária da classe trabalhadora, que recusava deixar-se abater pela austeridade dos tempos.
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Grey Gallows - Dying Light
Significado da canção
A letra — que não posso reproduzir integralmente por ser protegida por direitos de autor — gira em torno de imagens de queda, medo, distância emocional e procura de algo que se está a apagar. Há versos que evocam sentimentos de frieza, dor interior, muros erguidos entre duas pessoas e a sensação de que o tempo desgasta tudo. A canção repete perguntas como “Am I insane? Am I strong?”, que funcionam como um diálogo interno entre fragilidade e resistência. A “luz moribunda” do título é uma metáfora para a esperança que se esvai, para uma relação que se deteriora ou para a perda de sentido pessoal. O eu lírico observa a queda do outro, mas também a sua própria, num ciclo de medo, ego ferido e tentativa de quebrar barreiras emocionais que parecem intransponíveis.
No conjunto, “Dying Light” é uma reflexão sobre a erosão emocional, sobre a luta entre o desejo de aproximação e a incapacidade de derrubar os muros que dividem duas pessoas. É uma canção sobre desgaste, vulnerabilidade e a procura de uma luz que, embora ainda exista, está a morrer lentamente.
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